As sessões intergeracionais foram pensadas como encontros entre gerações que raramente se cruzam — crianças, jovens e moradores mais velhos — para promover o diálogo, a empatia e o sentido de pertença ao bairro. Inicialmente, estas atividades estavam planeadas para acontecer uma vez por mês, mas rapidamente percebemos, em conversa com os parceiros, que a regularidade semanal seria essencial para criar continuidade e compromisso. Assim, ao longo de seis quartas-feiras de verão, transformámos o espaço público em frente ao CATL num lugar de encontro, de criação e de partilha.



Um espaço que se foi enchendo de vida
As primeiras sessões mostraram-nos o desafio que seria envolver diferentes públicos. As crianças, vindas do CATL, mostraram logo curiosidade e entusiasmo, mas os moradores mais velhos aderiram de forma irregular — e, quando vinham, preferiam juntar-se ao grupo de crochet. Apesar disso, mantivemos o propósito inicial: criar momentos de encontro e diálogo, mais do que resultados artísticos concretos.
As atividades planeadas — desde o autorretrato, à história de vida, até ao mapeamento afetivo do bairro — foram sendo ajustadas à medida que percebíamos os ritmos e interesses das pessoas. Algumas propostas resultaram em breves desenhos ou colagens, outras em longas conversas sobre o passado das Enguardas e o que poderia mudar no futuro.


Nem sempre as sessões correram como previsto, mas o ambiente foi-se transformando: nas quartas-feiras, o espaço público em frente ao CATL ganhava uma nova energia. Havia crianças a desenhar, senhoras a tricotar, miúdos a jogar à bola, outras pessoas apenas a observar e conversar. Aos poucos, as sessões tornaram-se num verdadeiro ponto de encontro do bairro.

Aprendizagens e relações
Estas atividades permitiram às crianças e funcionárias do CATL saírem do espaço fechado da instituição e explorarem o espaço público de forma criativa. Também fortaleceram a relação entre o projeto Cores da Mudança e a Associação Famílias, consolidando uma parceria que tem sido essencial para envolver a comunidade local.
Durante as sessões, aproveitámos também para conhecer melhor o território através de exercícios de mapeamento e jogos — como uma “caça ao tesouro” por diferentes partes do bairro. Nessas explorações, percebemos, por exemplo, que algumas crianças nunca tinham ido ao chamado “verdadeiro bairro” das Enguardas, revelando como o território é vivido de forma fragmentada, mesmo entre vizinhos próximos.



No final, apesar de muitas adaptações e de nem sempre termos conseguido os resultados visuais previstos, sentimos que o objetivo maior — criar laços e fortalecer a convivência entre gerações — foi alcançado. As quartas-feiras de calor em 2025 tornaram-se, para muitos, um tempo e um lugar de encontro, de conversa e de pertença.
