Maria Glória, de 83 anos, vive nos prédios da gestão da Segurança Social — no Bairro das Enguardas — há 58 anos. Quando se mudou para o bairro, com apenas 25 anos e já com um filho, a vida dela era bem diferente da de hoje. Durante muitos anos, a sua rotina era sair de manhã para trabalhar e voltar à noite. Trabalhou toda a vida na casa de frutas da rua do Chão, sempre com a mesma dedicação. No entanto, a vida dela mudou há alguns anos, quando partiu a anca e precisou de apoio. “Tive muito apoio dos vizinhos, especialmente da Rosa”, conta, com um sorriso de gratidão.

Segundo Maria Glória, ela vive na parte tranquila do bairro, nos “prédios da frente”, onde os vizinhos se dão bem e o ambiente é calmo. “Aqui é sossegado. As pessoas ajudam-se umas às outras”, diz ela. No entanto, ela observa que na parte de trás do bairro, onde mora maioritariamente a comunidade cigana, há mais confusões.
Nas tardes mais amenas, Maria Glória costuma sentar-se à entrada do prédio e conversar com quem passa. “Fico ali à porta a falar com os vizinhos”, diz ela, sempre atenta ao que se passa no seu redor. Ela também gosta de participar nas aulas de ginástica organizadas pela Associação de Moradores, com o apoio do Viva o Bairro. “Faço o que posso. A gente tem que se mexer, não é?”, diz com um sorriso modesto.


