Uma celebração, uma criação, uma pergunta.

No dia 26 de julho de 2025, organizámos o primeiro convívio comunitário do projeto Cores da Mudança. Um momento pensado para celebrar os laços criados ao longo de seis semanas de encontros, atividades e aprendizagens no espaço público das Enguardas.

Foi também a inauguração simbólica da peça coletiva de yarn bombing do projeto — um grande coração feito a partir de 22 quadrados de crochet, criados por moradoras do bairro nas sessões semanais. O coração foi instalado na rede do ringue de futebol, ocupando o centro do espaço com cor, gesto e afeto.

Apesar de a ideia inicial ser deixar a peça no espaço público, várias moradoras alertaram para o risco de ser roubada ou estragada. Decidimos então manter a instalação apenas durante o dia do convívio, e recolher a peça no final — ouvindo e respeitando a sabedoria local, que conhece bem os usos e tensões do bairro. Este coração, como primeira criação do projeto, continuará a acompanhar-nos em outras ocasiões e eventos futuros.

A festa contou com comida gratuita, animação e música ao vivo. Atendendo a uma sugestão surgida numa das assembleias comunitárias, convidámos dois jovens músicos do bairro — Samir e Elionai — para um concerto de guitarra flamenca. Juntou-se também um cantor da comunidade, tornando o momento ainda mais especial. Foi bonito ver a arte local tomar o palco, com talento, alegria e improviso.

Apesar do ambiente festivo, ficou também um sentimento misto. Algumas pessoas participaram — crianças, famílias, moradoras habituais do projeto, especialmente das comunidades ciganas do bairro — mas também houve quem assistisse de longe: da janela, da varanda, do outro lado da estrela. Como se ainda houvesse um certo receio, ou desconfiança, ou simplesmente o hábito de não se misturar.

Foi um primeiro passo importante, mas também nos deixou uma pergunta no ar:

  • O que podemos fazer para que mais gente se junte? Como tornar estas celebrações verdadeiramente abertas, acolhedoras, diversas?

A resposta não é simples — mas sabemos que passa por continuar, escutar, experimentar, insistir. E acima de tudo, estar presente. Este convívio marcou o início das festas do Cores da Mudança. Outras virão. Com mais vozes, mais mãos, mais cor.